A Exortação Apostólica do papa Francisco sobre o chamado à santidade, Gaudete et Exsultate (Alegrai-vos e exultai), é um valioso e moderno documento vocacional, que aborda temas essenciais de nosso cotidiano. Tendo os santos como testemunhos e modelos, que nos encorajam e acompanham em nosso dia a dia, escutamos o Senhor chamando a cada um de nós, a sermos discípulos missionários de Jesus, ajudando a construir um mundo melhor, mais justo, com mais vida, humano. Eis, aqui, um extrato do texto, o que não substitui a leitura e a reflexão de toda a exortação, mas deve servir como um aperitivo:

 

 

 

Não tenhamos medo da santidade!

 

“Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante” (n. 07).

 

“Uma pessoa não deve desanimar quando contempla modelos de santidade que lhe parecem inatingíveis. Há testemunhos que são úteis para nos estimular e motivar, mas não para procurarmos copiá-los, porque isso poderia até afastar-nos do caminho, único e específico, que o Senhor predispôs para nós” (n. 11).

 

“Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade esteja reservada apenas àqueles que têm possibilidade de se afastar das ocupações comuns para dedicar muito tempo à oração. Não é assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais” (n. 14).

 

“A santidade a que o Senhor nos chama irá crescendo com pequenos gestos. Exemplos: a) uma senhora vai ao mercado fazer as compras, encontra uma vizinha, começam a falar e… surgem as críticas. Mas esta mulher diz para consigo: «Não! Não falarei mal de ninguém». Isto é um passo rumo à santidade; b) em casa, o seu filho reclama atenção para falar de suas fantasias. Embora cansada, senta-se ao seu lado e escuta com paciência e carinho. Trata-se doutra oferta que santifica; c) atravessa um momento de angústia, mas lembra-se do amor da Virgem Maria, pega no terço e reza com fé. Este é outro caminho de santidade; d) no caminho encontra um pobre e se detém a conversar carinhosamente com ele. É mais um passo” (cf. n. 16).

 

“Não tenhas medo da santidade. Não te tirará forças, nem vida, nem alegria. Muito pelo contrário, porque chegarás a ser o que o Pai pensou quando te criou e serás fiel ao teu próprio ser. Depender dele liberta-nos das escravidões e leva-nos a reconhecer a nossa dignidade” (n. 32).

 

 

 

Isto é santidade!

 

“Onde colocamos a segurança da nossa vida? Normalmente, o rico sente-se seguro com as suas riquezas e, quando estas estão em risco, pensa que se desmorona todo o sentido da sua vida. As riquezas não nos dão segurança alguma. Quando o coração se sente rico, fica tão satisfeito de si mesmo que não tem espaço para a Palavra de Deus, para amar os irmãos, nem para gozar das coisas mais importantes da vida. Deste modo priva-se dos bens maiores. Por isso, Jesus chama felizes os pobres em espírito, que têm o coração pobre, onde pode entrar o Senhor com a sua incessante novidade. Ser pobre no coração: isto é santidade” (cf. n. 67-70).

 

“Se vivemos tensos, arrogantes diante dos outros, acabamos cansados e exaustos. Mas, quando olhamos os seus limites e defeitos com ternura e mansidão, sem nos sentirmos superiores, podemos dar-lhes uma mão e evitamos gastar energias em lamentações inúteis. A mansidão é expressão de pobreza interior, de quem deposita a sua confiança apenas em Deus. Alguém poderia objetar: ‘Mas, se eu for assim manso, pensarão que sou insensato, estúpido ou frágil’. Talvez sim, mas deixemos que os outros pensem isso. É melhor sermos sempre mansos, porque assim se realizarão as nossas maiores aspirações: os mansos ‘possuirão a terra’, isto é, verão as promessas de Deus cumpridas na sua vida. Porque os mansos, independentemente do que possam sugerir as circunstâncias, esperam no Senhor, e aqueles que esperam no Senhor possuirão a terra e gozarão de imensa paz (cf. Sl 37/36,9.11). Ao mesmo tempo, o Senhor confia neles: ‘é nos humildes de coração contrito que os meus olhos se fixam, pois escutam a minha palavra com respeito’ (Is 66,2). Reagir com humilde mansidão: isto é santidade” (cf. n. 72-74).

 

“O mundo propõe-nos entretenimento, prazer, distração, divertimento. E diz-nos que isto é que torna boa a vida. O mundano ignora, olha para o lado quando há problemas de doença ou aflição na família ou ao seu redor. O mundo não quer chorar: prefere ignorar as situações dolorosas, cobri-las, escondê-las. Gastam-se muitas energias para escapar das situações onde está presente o sofrimento, julgando que é possível dissimular a realidade. A pessoa que, vendo as coisas como realmente são, chora, é capaz de alcançar as profundezas da vida e ser autenticamente feliz. Será consolada, mas com a consolação de Jesus e não com a do mundo. E assim poderá ter coragem de compartilhar o sofrimento alheio e não fugirá das situações dolorosas. Descobrirá que a vida tem sentido socorrendo o outro na sua aflição, compreendendo a angústia alheia, aliviando os outros. Saber chorar com os outros: isto é santidade” (cf. n. 75-76).

 

“Há pessoas que aspiram pela justiça e a buscam com um forte desejo. Jesus diz que elas serão saciadas, porque a justiça, mais cedo ou mais tarde, chega e nós podemos colaborar para isso tornar possível, embora nem sempre vejamos os resultados deste compromisso. A realidade mostra-nos como é fácil entrar na ala da corrupção, fazer parte dessa política diária do ‘dou para que me deem’, onde tudo é negócio. E quantas pessoas sofrem por causa das injustiças, e alguns desistem até de lutar pela verdadeira justiça e optam por subir para o carro do vencedor. A fome/sede de justiça começa por se tornar realidade na vida de cada um, sendo justo nas próprias decisões, e depois manifesta-se na busca da justiça para os pobres e vulneráveis. Buscar a justiça com fome e sede: isto é santidade” (cf. n. 77-79).

 

“A misericórdia tem dois aspetos: a) dar, ajudar, servir os outros; b) perdoar, compreender. Dar e perdoar é tentar reproduzir na nossa vida um pequeno reflexo da perfeição de Deus, que dá e perdoa superabundantemente. ‘Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e vos será dado’ (Lc 6,36-38). Lucas acrescenta algo que não deveríamos esquecer: ‘a medida que usardes com os outros será usada convosco’ (v.38). A medida que usarmos para compreender e perdoar será aplicada a nós para nos perdoar. A medida que aplicarmos para dar, será aplicada a nós no céu para nos recompensar. Não nos convém esquecê-lo. Jesus chama felizes aqueles que perdoam e o fazem ‘setenta vezes sete’ (Mt 18,22). É necessário pensar que todos nós somos uma multidão de perdoados. Todos nós fomos olhados com compaixão divina. Se nos aproximarmos sinceramente do Senhor e ouvirmos com atenção, possivelmente uma vez ou outra escutaremos esta repreensão: ‘não devias também ter piedade do teu companheiro como eu tive de ti?’ (Mt 18,33). Olhar e agir com misericórdia: isto é santidade” (cf. n. 80-82).

 

“Na Bíblia, o coração significa as nossas verdadeiras intenções, o que realmente buscamos e desejamos, para além das aparências: ‘O homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração’ (1Sm 16,7). Deus espera de nós uma dedicação ao irmão que brote do coração, pois ‘ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me vale’ (1Cor 13,3). Nas intenções do coração têm origem os desejos e as decisões mais profundas que efetivamente nos movem. Quando o coração ama a Deus e ao próximo, quando isto é a sua verdadeira intenção e não palavras vazias, então esse coração é puro e pode ver a Deus. Jesus promete que as pessoas de coração puro ‘verão a Deus’. Manter o coração limpo de tudo o que mancha o amor: isto é santidade” (cf. n. 83-86).

 

“É muito comum sermos causa de conflitos ou, pelo menos, de incompreensões. Aos que cuidam de semear a paz por todo o lado, Jesus faz-lhes uma promessa maravilhosa: ‘serão chamados filhos de Deus’ (Mt 5,9). Aos discípulos, pedia-lhes que, ao chegar a uma casa, dissessem: ‘a paz esteja nesta casa!’ (Lc 10,5). Na nossa comunidade se alguma vez tivermos dúvidas acerca do que se deve fazer, ‘procuremos aquilo que leva à paz’ (Rm 14,19), porque a unidade é superior ao conflito. Não é fácil construir a paz que a ninguém exclui; antes, integra mesmo aqueles que são um pouco estranhos, pessoas difíceis e complicadas, que reclamam atenção, diferentes, muito fustigados pela vida, que cultivam outros interesses. É difícil, requer uma grande abertura de mente e coração, inclusive para suportar o conflito, resolvê-lo e transformá-lo. Trata-se de sermos artesãos da paz, porque construir a paz é uma arte que requer serenidade, criatividade, sensibilidade e destreza. Semear a paz ao nosso redor: isto é santidade” (cf. n. 87-89).

 

“Para viver o Evangelho não podemos esperar que tudo à nossa volta seja favorável, porque muitas vezes as ambições de poder e os interesses mundanos jogam contra nós. Numa sociedade alienada, enredada numa trama política, mediática, econômica, cultural e mesmo religiosa, que estorva o autêntico desenvolvimento humano e social, torna-se difícil viver as bem-aventuranças, podendo até a sua vivência ser mal vista, suspeita, ridicularizada. A cruz, especialmente as fadigas e os sofrimentos que suportamos para viver o mandamento do amor e o caminho da justiça, é fonte de amadurecimento e santificação. As perseguições não são uma realidade do passado, porque hoje também as sofremos quer de forma cruel, como tantos mártires contemporâneos, quer de uma maneira mais sutil, através de calúnias e falsidades. Outras vezes, trata-se de zombarias que tentam desfigurar a nossa fé e fazer-nos passar por pessoas ridículas. Abraçar diariamente o caminho do Evangelho mesmo que nos acarrete problemas: isto é santidade” (cf. n. 91-94).

 

“Quem deseja verdadeiramente dar glória a Deus com a sua vida, quem realmente se quer santificar para que a sua existência glorifique o Santo, é chamado a obstinar-se, gastar-se e cansar-se procurando viver as obras de misericórdia. O consumismo hedonista pode-nos enganar, porque, na obsessão de divertir-nos, acabamos por estar excessivamente concentrados em nós mesmos, nos nossos direitos e na exacerbação de ter tempo livre para gozar a vida. Será difícil que nos comprometamos e dediquemos energias a dar uma mão a quem está mal, se não cultivarmos uma certa austeridade, se não lutarmos contra esta febre que a sociedade de consumo nos impõe para nos vender coisas, acabando por nos transformar em pobres insatisfeitos que tudo querem ter e provar. O próprio consumo de informação superficial e as formas de comunicação rápida e virtual podem ser um fator de estonteamento que ocupa todo o nosso tempo e nos afasta da carne sofredora dos irmãos” (n. 107-108).

 

 

 

Cinco características da santidade

 

Permanecer centrado, firme em Deus que ama e sustenta. Com a firmeza interior é possível aguentar, suportar as contrariedades, as vicissitudes da vida e também as agressões dos outros, as suas infidelidades e defeitos. ‘Toda a espécie de azedume, raiva, ira, gritaria e injúria desapareça de vós, juntamente com toda a maldade’ (Ef 4,31). É preciso lutar e estar atentos às nossas inclinações agressivas e egocêntricas para não deixar que ganhem raízes. O santo não gasta suas energias a lamentar-se dos erros alheios, é capaz de guardar silêncio sobre os defeitos dos seus irmãos e evita a violência verbal que destrói e maltrata, porque não se julga digno de ser duro com os outros, mas considera-os superiores a si próprio. Se não fores capaz de suportar e oferecer a Deus algumas humilhações, não és humilde nem estás no caminho da santidade. Uma pessoa, precisamente porque está liberta do egocentrismo, pode ter a coragem de discutir amavelmente, reclamar justiça ou defender os fracos diante dos poderosos, mesmo que isso traga consequências negativas para a sua imagem. Não caiamos na tentação de procurar a segurança interior no sucesso, nos prazeres vazios, na riqueza, no domínio sobre os outros ou na imagem social” (cf. n. 112-121).

 

Viver com alegria e sentido de humor. Sem perder o realismo, ilumina os outros com um espírito positivo e rico de esperança. Existem momentos difíceis, tempos de cruz, mas nada pode destruir a alegria sobrenatural. O mau humor não é um sinal de santidade. É tanto o que recebemos do Senhor, que às vezes a tristeza tem a ver com a ingratidão, com estar tão fechados em nós mesmos que nos tornamos incapazes de reconhecer os dons de Deus. O amor fraterno multiplica a nossa capacidade de alegria, porque nos torna capazes de rejubilar com o bem dos outros: ‘alegrai-vos com os que se alegram’ (Rm 12,15)” (cf. n. 122-128).

 

Ser ousado. Santidade é também ousadia, entusiasmo, ardor apostólico. Quantas vezes nos sentimos instigados a nos deter na comodidade da margem! Mas o Senhor chama-nos a avançar para águas mais profundas (cf. Lc 5,4). Convida-nos a gastar a nossa vida ao seu serviço. Agarrados a Ele, temos a coragem de colocar todos os nossos carismas ao serviço dos outros. Reconheçamos a nossa fragilidade, mas deixemos que Jesus a tome nas suas mãos e nos lance para a missão. Somos frágeis, mas portadores de um tesouro que nos faz grandes e pode tornar melhores e mais felizes aqueles que o recebem. A ousadia e a coragem apostólica são constitutivas da missão. Precisamos do impulso do Espírito para não ser paralisados pelo medo e o calculismo, para não nos habituarmos a caminhar só dentro de confins seguros. Lembremo-nos disto: o que fica fechado acaba cheirando a mofo e criando um ambiente doentio. Deus é sempre novidade, que nos impele a partir sem cessar e a mover-nos para ir mais além do conhecido, rumo às periferias e aos confins. Leva-nos aonde se encontra a humanidade mais ferida e aonde os seres humanos, sob a aparência da superficialidade e do conformismo, continuam à procura de resposta para a questão do sentido da vida. Deus não tem medo, ultrapassa sempre os nossos esquemas e não lhe metem medo as periferias. Ele próprio se fez periferia (cf. Fl 2,6-8; Jo 1,14). Por isso, se ousarmos ir às periferias, lá o encontraremos: Ele já estará lá. Os santos surpreendem, desinstalam, porque a sua vida nos chama a sair da mediocridade tranquila e anestesiadora” (cf. n. 129-139).

 

Caminhar juntos. A santificação é um caminho comunitário, que se deve fazer dois a dois. Partilhar a Palavra e celebrar juntos a Eucaristia torna-nos mais irmãos e vai nos transformando pouco a pouco em comunidade santa e missionária. A vida comunitária, na família, na paróquia, na comunidade religiosa ou em qualquer outra, compõe-se de tantos pequenos detalhes diários. Assim acontecia na comunidade santa formada por Jesus, Maria e José, onde se refletiu de forma paradigmática a beleza da comunhão trinitária. E o mesmo sucedia na vida comunitária que Jesus transcorreu com os seus discípulos e o povo simples. Lembremo-nos como Jesus convidava os seus discípulos a prestarem atenção aos detalhes: vinho que estava acabando numa festa; uma ovelha que faltava; viúva que ofereceu as duas moedinhas que tinha; azeite-reserva para as lâmpadas, caso o noivo se demore; ver quantos pães tinham; fogueira acesa e peixe na grelha enquanto esperava os discípulos ao amanhecer. Contra a tendência ao individualismo consumista que acaba por nos isolar na busca do bem-estar à margem dos outros, o nosso caminho de santificação não pode deixar de nos identificar com aquele desejo de Jesus: ‘que todos sejam um só, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti’ (Jo 17,21)” (cf. n. 140-146).

 

Rezar. A santidade é feita de abertura habitual à transcendência, que se expressa na oração e na adoração. O santo é uma pessoa com espírito orante, que tem necessidade de se comunicar com Deus. É alguém que não suporta asfixiar-se na imanência fechada deste mundo e, no meio dos seus esforços e serviços, suspira por Deus, sai de si erguendo louvores e alarga os seus confins na contemplação do Senhor. Não acredito na santidade sem oração, embora não se trate necessariamente de longos períodos ou de sentimentos intensos. Atrevo-me a perguntar-te: Tens momentos em que te colocas na presença de Deus em silêncio, permaneces com ele sem pressa, e te deixas olhar por ele? Deixas que o seu fogo inflame o teu coração? O encontro com Jesus nas Escrituras conduz-nos à Eucaristia, onde essa mesma Palavra atinge a sua máxima eficácia, porque é presença real daquele que é a Palavra viva. Lá o único Absoluto recebe a maior adoração que se lhe possa tributar neste mundo, porque é o próprio Cristo que se oferece. E, quando o recebemos na Comunhão, renovamos a nossa aliança com ele e lhe consentimos que realize cada vez mais a sua obra transformadora” (cf. n. 147-157).

 

 

 

Vigiar e discernir

 

“O caminho à santidade é um processo constante. Temos estratégias: a fé que se expressa na oração, a meditação da Palavra de Deus, a celebração da Missa, a adoração eucarística, a Reconciliação sacramental, as obras de caridade, a vida comunitária, o compromisso missionário. Se nos descuidarmos, facilmente nos seduzirão as falsas promessas do mal. O progresso no bem, o amadurecimento espiritual e o crescimento do amor são o melhor contrapeso ao mal” (cf. n. 162-163).

 

“Sem a sapiência do discernimento, podemos facilmente transformar-nos em marionetes à mercê das tendências da ocasião. Somos livres, com a liberdade de Jesus, mas ele nos chama a examinar o que há dentro de nós – desejos, angústias, temores, expetativas – e o que acontece fora de nós – os ‘sinais dos tempos’ –, para reconhecer os caminhos da liberdade plena: ‘examinai tudo, guardai o que é bom’ (1Ts 5,21). Condição essencial para avançar no discernimento é a educação à paciência de Deus e os seus tempos, que nunca são os nossos. Além disso requer-se generosidade, porque ‘a felicidade está mais em dar do que em receber’ (At 20,35). Faz-se discernimento não para descobrir que mais proveito podemos tirar desta vida, mas para reconhecer como podemos cumprir melhor a missão que nos foi confiada no Batismo, e isto implica estar disposto a fazer renúncias até dar tudo. Aquele que pede tudo, também dá tudo, e não quer entrar em nós para mutilar ou enfraquecer, mas para levar à perfeição. O discernimento não é uma autoanálise presunçosa, uma introspeção egoísta, mas uma verdadeira saída de nós mesmos para o mistério de Deus, que nos ajuda a viver a missão para a qual nos chamou a bem dos irmãos” (cf. n. 167-174).

 

 

 

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