A vida religiosa na América Latina abrange uma longa história de santidade e de martírio, de solidariedade com os pobres e excluídos, de profundo significado de ser Igreja, mesmo com tantas dificuldades, como acontece em todas as instituições ou grupos formados por homens e mulheres, com seus problemas e também com seus contra testemunhos.

 

O Documento de Aparecida afirma nossa identidade como cristãos - "Discípulos Missionários" - e como religiosos - "Discípulos Missionários de Jesus, testemunha do Pai" (DA 216-224).

 

Somos alegres por sermos discípulos do Senhor e enviados a levar o tesouro do evangelho. A alegria do discípulo é um antídoto ao mundo assustado pelo futuro e oprimido pela violência e pelo ódio. A alegria do discípulo não é um sentimento de conforto egoísta, mas a certeza que brota da fé, que acalma o coração e que nos torna capazes de anunciar a boa nova do amor de Deus.

 

Como membros "especiais" da Igreja, os cristãos consagrados, os Religiosos são chamados a viver intensamente seu mistério de comunhão seja dentro da Congregação como também diante da sociedade e no lugar onde estão vivendo.

 

A fraternidade é um dom de Deus, o qual a torna possível e fecunda. Uma Comunidade religiosa é chamada a viver com intensidade os valores de comunhão da própria Igreja, de maneira que possa ser a permanência visível da Igreja primitiva de Jerusalém, assim como aparecia na novidade da Páscoa e no fervor da Pentecostes, primeiro fruto do Espírito e primeira expressão da fé em Jesus Cristo: Um só coração e uma só alma, partilhas dos bens, oração de todos juntos e eucaristia, paz e alegria, audácia apostólica, carinho e simpatia do povo (cf. At 2,42-48; 4,32-35).

 

Os documentos que tratam da vida fraterna, documentos da Igreja e das conferências episcopais, falam das relações fraternas como se fossem de uma "verdadeira família", onde cada um deve procurar construir um ambiente de confiança recíproca, benevolência, prontidão na hora de perdoar, onde cada coirmão é aceito com sua identidade, que supera suas determinações de origem, idade, cultura, função, onde não há diferença entre os coirmãos religiosos e os que receberam o sacerdócio, onde se repartem e se trocam os bens, sejam espirituais como também efetivos, onde se dialoga e há o espírito de recíproca ajuda, onde existe a coragem da correção fraterna, feita com carinho (cf. Gl 6,1).

 

É claro que esta experiência de vida fraterna é exigente e supera as simples forças humanas. A graça de Deus é necessária e deve ser pedida na oração, e é transmitida através da Palavra de Deus, da Eucaristia, da reconciliação, do carisma de fundação, da prática honesta e leal dos votos, das várias formas de diálogo comunitário, do serviço de animação e de direção espiritual.

 

Olhando ao nosso redor e considerando os vários problemas que se identificam com a sociedade num mundo globalizado, onde parece que o sagrado e o espiritual tenham perdido há muito tempo seu sentido de vida, não devemos esquecer, como pessoas consagradas, que a nossa vocação religiosa é rica de significado sem comparação, porque a nossa missão é ser sinal de esperança para a humanidade, em particular no território onde vivemos e manifestamos nosso apostolado de acordo com o nosso carisma e segundo a nossa Regra de Vida.

 

A crise da humanidade é uma crise de esperança. Nós, religiosos, devemos oferecer esperança. Nossa vida, com os votos religiosos, é ela própria um sinal de esperança. Somos também sinal de esperança porque respondemos a uma vocação que nos chama a viver dentro de uma comunidade e nos envia para cumprir uma missão. Somos sinais de esperança em primeiro lugar com a nossa profissão, depois com a nossa vida fraterna em comunidade e, enfim, através da nossa missão.

 

Quando Cristo chama alguém para segui-lo, exige um amor disposto a deixar tudo para Ele. O chamado para a vida fraterna em comunidade é um convite para amar até o fim, colocando em prática, na forma mais radical o primeiro mandamento: "Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças" (Mc 12,30) Amar a Cristo implica um amor profundo ao próximo. Citando o primeiro mandamento Jesus não o separa do segundo: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo" (Mc 12,31).

 

Jesus não se limitou em chamar os apóstolos para segui-lo, mas os reuniu em comunidade. Este é um sinal da vontade do Salvador: dar início a um estilo de vida que um dia se tornaria vida comunitária. Jesus pede a seus membros de praticar uma caridade fraterna mais profunda. É isso que ele pede para nós: viver e praticar uma caridade mais intensa. Este é um aspecto essencial da vida consagrada, um aspecto que precisa ser sempre renovado interiormente. Temos que assumir a responsabilidade com alegria e humildade, com grande audácia e coragem de construir comunidades fraternas.

 

A vida fraterna tem a missão de testemunhar as linhas fundamentais do discipulado e colocar-se a serviço desta missão com total gratuidade e com grande audácia... Fazendo eco à Vita Consecrada (cf. VC 51), Aparecida pediu para a vida consagrada ser um instrumento de comunhão "dentro da Igreja e na sociedade" (cf. DA 218).

 

É importante viver com paixão a missão evangelizadora com as pessoas que receberam outras vocações e outros ministérios. Poderemos ser fatores e promotores de comunhão eclesial na medida em que sabermos ser testemunhas de comunidades onde a vida fraterna é vivida com intensidade.

 

Pe. Bruno Rampazzo, RCJ

Conselheiro Geral para a Formação





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