A mídia, desde o dia 10 de fevereiro de 2013, está noticiando a "renúncia do papa", passando-nos muitas informações e também especulações, sejam relacionadas aos motivos alegados por Bento XVI para o gesto de deixar o ministério petrino ou aos "candidatos" na sucessão.

 

Fato é que Joseph Ratzinger, que nasceu 46 dias antes da páscoa de Santo Aníbal Maria Di Francia (16/04/1927 – 01/06/1927), com seus quase 86 anos de vida, consciente de que não basta a saúde mental para o serviço a que é responsável, demonstrou dignidade em "passar o ministério a outra pessoa", certamente desejando-lhe que tenha a saúde mental e física. Na mensagem de renúncia ele reconhece ser um ato "grave" e pede perdão por todos os seus defeitos.

 

Foram quase oito anos de serviço como bispo de Roma e sucessor de Pedro. Naquela mensagem, a primeira, no dia de sua eleição, em 19 de abril de 2005, ele afirmou: "Depois do grande papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor. Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes. E, sobretudo, recomendo-me às vossas orações. Na alegria do Senhor Ressuscitado, confiantes na sua ajuda permanente, vamos em frente. O Senhor ajudar-nos-á. Maria, sua Mãe Santíssima, está conosco. Obrigado!".

 

O "humilde trabalhador na vinha", ou operário na messe, não deixou o poder sufocar o Espírito de Deus. Ratzinger, o "braço direito" de João Paulo II, aquele Cardeal da Doutrina da Fé que fez calar teólogos "da libertação", inclusive brasileiros, reconheceu-se um "instrumento insuficiente".

 

Não é difícil perceber, analisando apenas algumas últimas audiências gerais das quartas-feiras, realizadas geralmente na sala Paulo VI, no Vaticano, que o gesto de renúncia demostra coerência com o seu discurso. Na audiência geral do dia 30 de janeiro de 2013, em sua catequese sobre o "Creio", no Ano da Fé, há uma belíssima reflexão sobre o sentido da paternidade de Deus, Todo-Poderoso:

 

"...poderíamos interrogar-nos: como é possível pensar num Deus Todo-Poderoso, contemplando a Cruz de Cristo? Este poder do mal, que chega ao ponto de matar o Filho de Deus? Sem dúvida, gostaríamos de uma onipotência divina em conformidade com os nossos esquemas mentais e os nossos desejos: um Deus ‘Todo-Poderoso’ que resolva os problemas, que intervenha para nos fazer evitar as dificuldades, que vença os poderes adversos, que mude o curso dos acontecimentos e que anule a dor. Por isso, hoje vários teólogos dizem que Deus não pode ser Todo-Poderoso, caso contrário não haveria tanto sofrimento e tanto mal no mundo. Na realidade, diante do mal e do sofrimento, para muitos, para nós, torna-se problemático, difícil, crer num Deus Pai e acreditar que Ele é Todo-Poderoso; alguns procuram refúgio em ídolos, cedendo à tentação de encontrar resposta numa presumível onipotência ‘mágica’ e nas suas promessas ilusórias. Mas a fé em Deus Todo-Poderoso impele-nos a percorrer sendas muito diferentes: aprender a conhecer que o pensamento de Deus é diverso do nosso, que os caminhos de Deus são diferentes dos nossos (cf. Is 55, 8) e também a sua onipotência é diversa: não se expressa como força automática ou arbitrária, mas caracteriza-se por uma liberdade amorosa e paterna. Na realidade Deus, criando criaturas livres e dando liberdade, renunciou a uma parte do seu poder, deixando o poder da nossa liberdade. Assim Ele ama e respeita a resposta livre de amor ao seu chamado. Como Pai, Deus deseja que nós sejamos seus filhos e vivamos como tais no seu Filho, em comunhão, em plena familiaridade com Ele. A sua onipotência não se manifesta na violência, não se exprime na destruição de todo o poder adverso, como nós desejamos, mas expressa-se no amor, na misericórdia, no perdão, na aceitação da nossa liberdade e no apelo incansável à conversão do coração, numa atitude só aparentemente frágil — Deus parece frágil, se pensamos em Jesus Cristo que reza, que se deixa matar. Uma atitude aparentemente débil, feito de paciência, de mansidão e de amor, demonstra que este é o verdadeiro modo de ser poderoso! Este é o poder de Deus! E este poder vencerá!"

 

Na audiência do dia 06 de fevereiro, a última antes da comunicação de sua decisão de renunciar, numa catequese bem mais curta, uma conclusão: "A Cruz torna-se a nova árvore da vida".

 

Bento XVI sabe que sua renúncia, considerada "cruz" ou "gesto débil" para muitos, trará "vida nova" à Igreja como um todo, com seu novo pastor.

 

Oxalá este gesto possa significar "novos rumos" na nossa Igreja institucional.

 

Pe. Juarez Albino Destro, RCJ
Superior Provincial





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