Estamos prestes a dizer: "alegrai-vos sempre no Senhor, alegrai-vos no Senhor!" (cf. Fl 4,4). A festa litúrgica da Páscoa nos remete à Páscoa cotidiana. De fato, a cada momento estamos – ou devemos estar – transformando as situações de morte em vida. E é uma alegria celebrar a vida! É uma festa permanente! Como é bom saborear um churrasco, mas necessariamente tem que ser ao redor de amigos, companheiros e companheiras de caminhada e vida. Senão, perde sabor e significado. Alegrai-vos, mas alegrai-vos por um motivo muito forte: a vida sempre vence a morte, a paz sempre é melhor que a guerra, viver em comunidade é muito mais prazeroso do que isolado, amar e perdoar faz muito bem para a saúde, em todos os aspectos! Portanto, Feliz Páscoa a todos e todas, com muita paz, alegria e saúde!

 

E por falar em alegria, recentemente recebi um artigo de Paulo Suess, que merece ser partilhado, refletido, estudado, aprofundado. Um texto que analisa a exortação do papa Francisco, Evangelii Gaudium. Apresento um "aperitivo" para aqueles que, depois, desejarem ler o artigo na íntegra (está na seção Paróquias - download: "Vinho e vinagre na alegria do Evangelho". Palavras de Suess, com pequenos ajustes para tornar mais saboroso o aperitivo:

 

Depois de cada Sínodo Romano, seu resumo faz parte do dever de casa do papa, que o devolve como Exortação Apostólica à comunidade católica. A Evangelii Gaudium, de Francisco, remete à 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que em 2012 discutiu "A nova evangelização para a transmissão da fé cristã". Em vários itens o papa menciona o Sínodo (cf. EG 14, 16, 73, 112, 245), contudo, faz do seu texto não só um resumo de materiais herdados, mas um escrito autônomo e programático de seu papado. Expressa seu sonho de "uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à autopreservação" (EG 27).

 

A exortação é uma verdadeira apostila missionária com imperativos e convites, dicas metodológicas e pedagógicas interligadas para fazer avançar a "nova evangelização". Procurei agrupar os múltiplos temas em torno de sete núcleos de radiação. Alguns desses núcleos já fazem parte do set pastoral latino-americano, outros pertencem à tradição da Igreja universal e, ainda, outros são "bergoglianos". Em seu conjunto podem servir para as comunidades aprofundarem a relevância do Vaticano II e do Documento de Aparecida para os dias de hoje em função de uma pastoral missionária em estado de conversão permanente.

 

1) A misericórdia é a resposta transversal de Deus à humanidade porque "a salvação, que nos oferece, é obra da sua misericórdia" (EG 112). "A Igreja deve ser o lugar da misericórdia gratuita, onde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e animados a viverem segundo a vida boa do Evangelho" (EG 114). Não devemos ser cúmplices indulgentes de "situações intoleráveis de injustiça" (EG 194). Para Jesus, a misericórdia para com os pobres "é a chave do Céu" (cf. Mt 25, 34-40; EG 197).

 

2) Os pobres. Da misericórdia como graça da salvação emerge a opção pelos pobres que, em primeiro lugar, é uma opção de Deus que "manifesta a sua misericórdia antes de mais a eles" (EG 198). Jesus, "transbordando de alegria no Espírito, bendiz o Pai por lhe atrair os pequeninos" (cf. Lc 10,21; EG 141). O Papa Francisco deseja "uma Igreja pobre para os pobres. [...] É necessário que todos nos deixemos evangelizar por eles. Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles" (EG 198). "Sem a opção preferencial pelos pobres, o anúncio do Evangelho [...] corre o risco de não ser compreendido ou de afogar-se naquele mar de palavras que a atual sociedade da comunicação diariamente nos apresenta" (EG 199).

 

3) A atração. O anúncio e a transmissão da fé proposta no Evangelho acontecem prioritariamente pela atratividade de gestos e não através do proselitismo de palavras: "A Igreja não cresce por proselitismo, mas «por atração» (EG 14); o "dinamismo evangelizador" atua "por atração" (EG 131). "Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! [...] Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças" (EG 49). A atratividade do anúncio tem suas raízes na partilha da alegria, na visão de um horizonte e na oferta gratuita de um "banquete" com dimensões históricas e escatológicas.

 

4) O anúncio: é um convite para partilhar uma alegria, indicar um horizonte e oferecer um banquete (cf. EG 14; 11). É necessário que esse anúncio "exprima o amor salvífico de Deus como prévio à obrigação moral e religiosa, que não imponha a verdade, mas faça apelo à liberdade, que seja pautado pela alegria, o estímulo, a vitalidade e uma integralidade harmoniosa que não reduza a pregação a poucas doutrinas" (EG 165). Por não excluir nem forçar ninguém, o anúncio é universal e aberto ao mundo. Esse anúncio simplifica a doutrina e "concentra-se no essencial, no que é mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, mais necessário" (EG 35). O essencial do cristianismo é Jesus Cristo: "Não pode haver verdadeira evangelização sem o anúncio explícito de Jesus como Senhor" (EG 110).

 

5) A inculturação: é um sinônimo do "ir ao encontro". "Se deixamos que as dúvidas e os medos sufoquem toda a ousadia [da inculturação], é possível que, em vez de sermos criativos, nos deixemos simplesmente ficar cômodos sem provocar qualquer avanço e, neste caso, não seremos participantes dos processos históricos com a nossa cooperação, mas simplesmente espectadores duma estagnação estéril da Igreja" (EG 129).

 

6) As estruturas. A Exortação não se pronuncia sobre todos os nós que se formaram na garganta da Igreja no decorrer dos séculos. A rouquidão eclesial exige uma radioterapia toda especial. É difícil desatar os nós e separar suas substâncias químicas amalgamadas de poder, cultura e doutrina. O papa sabe que a alegria do Evangelho e "uma nova etapa evangelizadora" (EG 17) não vão desabrochar de pessoas tuteladas, mas de pessoas livres e responsáveis. Muitas vezes agimos como controladores da graça e não como facilitadores. Mas a Igreja não é uma alfândega, é a casa paterna, onde há lugar para todos com a sua vida fadigosa" (EG 47).

 

7) O diálogo. Para servir ao pleno desenvolvimento da humanidade e ao bem comum, Francisco aponta três campos de diálogo: "o diálogo com os Estados, com a sociedade - que inclui o diálogo com as culturas e as ciências - e com os outros crentes que não fazem parte da Igreja Católica" (EG 238). Por causa do vinagre ainda guardado nos calabouços do Vaticano, o papa Francisco nos faz sentir o peso dos desafios herdados no mundo e na própria Igreja, sobretudo "o desafio de descobrir e transmitir a mística de viver juntos, misturar-nos, encontrar-nos, dar o braço, apoiar-nos, participar nesta maré um pouco caótica que pode transformar-se numa verdadeira experiência de fraternidade, numa caravana solidária, numa peregrinação sagrada" (EG 87).

 

Espero que tenha saboreado este aperitivo e seja provocado a ler o artigo de Paulo Suess na íntegra, não sem antes ler a própria Exortação Apostólica de Francisco, a Evangelii Gaudium.

Pe. Juarez Albino Destro, RCJ
Provincial

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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